Com um efetivo de apenas
11.358 agentes, situação preocupa áreas da segurança pública. Falta de efetivo
necessário faz com que os policiais trabalhem cinco vezes mais que o
recomendado.
A Polícia da Paraíba vive
atualmente um dos piores quadros da segurança pública do país com apenas 11.358
policiais, entre civis e militares, em atividade para garantir a segurança em
todo o Estado. O número ideal seria de 26.900 profissionais, segundo o Comando
da Polícia Militar e Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba
(Aspol-PB).
O déficit chega a 15.542
policiais, resultando em uma média de um policial para cada grupo de 331,61
habitantes, quando o recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU) é uma
média de um policial para cada grupo de 250 pessoas.
A carência no efetivo faz
com que um policial civil chegue a trabalhar até cinco vezes mais que o
recomendado pela Lei Orgânica da categoria, que determina uma carga horária de
40 horas semanais, de segunda-feira a sexta-feira, em dois turnos, podendo
haver redução para seis horas diárias ininterruptas, de acordo com a
necessidade do serviço. Já os policiais que trabalham em regime de plantão
deveriam cumprir carga horária de 24 horas de trabalho por 72 horas de
descanso.
Conforme o presidente da
Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba (Aspol-PB), Sandro
Bezerra, a Polícia Civil conta atualmente com um efetivo de 1.963, entre
agentes de investigação, escrivães e peritos, quando o recomendado é o trabalho
contínuo de nove mil policiais.
“Na Paraíba, cada policial
civil está trabalhando por cinco. Esse déficit não garante um atendimento de
qualidade à população. Por isso muitas vezes nas delegacias a população
encontra policiais cansados, estressados, tudo isso devido à carga de trabalho
que é exaustiva”, destacou Sandro.
Atualmente, o grande vilão
da Polícia Civil é considerado o plantão extraordinário. De acordo com Sandro
Bezerra, por não haver efetivo suficiente para garantir o funcionamento de
todas as delegacias do Estado, o governo tem pago valores para que os policiais
cumpram o plantão extra. “O plantão extraordinário está escravizando o
policial. O governo paga um valor irrisório e o policial, ao invés de descansar,
em horário de folga vai à delegacia para atender a população”, denunciou Sandro
Bezerra.
Na Polícia Militar (PM), a
situação chega a ser pior. Conforme o comandante da PM, coronel Euller Chaves,
a corporação conta atualmente com 9.395 policiais, porém, segundo o militar, a
Lei Complementar Estadual 87, de 2 de dezembro de 2008, prevê a atuação de
19.500 policiais na Paraíba.
Ainda segundo o comandante,
do total de policiais disponíveis, aproximadamente sete mil atuam nas ruas,
efetivamente na segurança da população. De acordo com Euller Chaves, o déficit
maior é no número dos policiais praças, principalmente os soldados e terceiro
sargentos.
O número reduzido de
policiais faz com que algumas áreas sejam priorizadas, principalmente os
grandes centros, enquanto municípios do interior do estado, muitas vezes,
recebam policiamento apenas nos fins de semana.
“O efetivo está distribuído
por todo o estado, mas o número não é suficiente. Nós temos priorizado algumas
cidades, com base nas estatísticas de crimes. Cidades que possuem mil e poucos
habitantes, naturalmente nós reforçamos a segurança nos finais de semana, em
razão de existir prioridades”, explicou Euller Chaves.
JP Online

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